
Quando eu estava perambulando por Belém, um amigo do Recife, preocupado com a minha 'solitude', arrumou um amigo de um amigo para me ciceronear pela cidade: "Liga!" Embora a idéia fosse ficar vagando a esmo, acabei cedendo; e foi assim que conheci o meu host, o Edu. Depois de um tour por vários pontos da cidade, pedi para ele me levar a um lugar bacana para tomarmos um vinho. Ou dois. Ou mais, quem sabe?

Paramos na Grand Cru (Av. Comandante Brás de Aguiar, 50, Belém), uma loja novinha, bem montada, com um wine bar cheio de sugestões apetitosas e, ironia, a duas quadras do meu hotel! Compramos duas garrafas de espumante e pedimos para resfriá-las. Enquanto esperávamos nas mesinhas junto à vitrine, Rodrigo Aguilera, o dono, chegou e ofereceu uma degustação de alguns tintos. Veio o queijo.

Daí foi um desfile de comidinhas gostosas e com preços amigos (cliquepara ver o cardápio com os preços). Rodrigo contou que o menu havia sido elaborado pela chef Renata Braune, do Chef Rouge de São Paulo. Me senti em casa, ar geladíssimo, mas com Belém pela vitrine. E na mesa:

Mini rosbife de filé com foie gras e redução de vinho tinto (R$ 26). O tipo de canapé que vai muito bem com os tintos que estávamos degustando.

Assim como as Mini linguiças com molho de vinho doce-picante (R$ 20), "importadas" de São Paulo.

E o que falar desse Trio de Pinchos: Rosbife com shitake e alho, linguiça com aeitona preta e alho assado e queijo Saint Paulin com rúcula e presunto cru (R$ 26). Eu comeria todos os dias. Caiu super bem com os espumantes, já marejando nossos olhos de perlage.

Adorei também as Batatas bravas com salames artesanais (R$ 20), três tipos. Brincando de comer.

O Penne com lascas de pato petit sale e champignons ao vinho (R$ 29) veio apenas para degustação, nem havíamos pedido. Eu só ia provar. Mas como resistir?

Anoiteceu. É tão boa a sensação de comer com prazer. E de beber. Compramos mais duas garrafas de espumante para refrescar o resto da noite belenense e saímos para a farra. Foi ótimo. Ainda lembro.
Escrito por Marcelo Katsuki às 20h05
A primeira pupunha a gente não esquece
Foi n'A Toca, um misto de restaurante e bar da galeria Bangalow (na Braz de Aguiar - Belém) que provei minha primeira pupunha. Foi uma passada rápida, a caminho da enoteca, mas foi gostoso relaxar um pouco naquele ambiente aconchegante. E fresquinho.

Diferente: a pupunha em Belém lembra castanha portuguesa. Logo pensei em fazer um marrom glacê, hehe.


A Toca vive lotada à noite, tem shows, e agora abre para o almoço com a supervisão da sra. Teresa Russel. Provei alguns pastéis também, fritos na hora.

E provei o açaí com farinha de tapioca, servida também como sobremesa.

Dona Teresa e os pastéis d'A Toca. Gostei, viu?
Escrito por Marcelo Katsuki às 20h21

A Portinha é o segredo mais mal guardado de Belém. Só se fala nela, hehe! E tem peculiaridades que fazem jus à fama: é minúscula, só abre no final da tarde e apenas de sexta a domingo. Eita emprego bom esse, meu!

Bolo gigante de chocolate com recheio de cupuaçu.
Mas apesar do espaço diminuto, o menu é até extenso: comidas típicas como maniçoba, vatapá, arroz com jambu e bolos gigantescos de chocolate com cupuaçu, docinhos e os salgadinhos, que fazem a fama do lugar.

O povo faz fila para comprar. E vai pra rua comer, já que lá dentro só tem uma mesa com três lugares; é comprar e rua. Tem também sucos de cupuaçu, biribá, taperebá, além de guaranás locais. Naquele calor, nada como um suco geladinho!

Dentre os salgados, provei um Embrulhadinho de pirarucu com jambu e queijo cuia, parece que é muita coisa mas não é: tudo bem resolvido, gostoso mesmo Comi também uma esfiha de camarão com jambu e uma Empada de creme de jambu e queijo cuia.
Mas o meu favorito foi o Pão da Portinha, com recheido de peito de peru, jambu e palmito. Eita salgadinho pai d'égua, rapaz! Pedi outro mas o Manoel riu e disse: "Acabou"! E olha que a Portinha estava aberta há menos de duas horas!

Me contentei com um Bombom de brigadeiro recheado com cupuaçu enquanto o ambiente era tomado pela maniçoba fresquinha que acabava de ficar pronta. Mas saí de lá mesmo sonhando com o pãozinho. Da Portinha.

Portinha
De sexta a domingo, das 17h as 22h
Rua Dr. Malcher 434 - Cidade Velha
Tel.: 0/xx/91/3223-0922
Escrito por Marcelo Katsuki às 18h40
Receita de moqueca do Remanso do Peixe
Agora que você já conheceu algumas delícias do Remanso do Peixe e os endereços para comprar os melhores produtos, que tal ir para a cozinha e preparar uma deliciosa moqueca paraense, nessa versão do chef Thiago Castanho?

Moqueca Paraense do Remanso do Peixe
- 600g de filés de Filhote
- 2 cebolas
- 1 tomate
- 2 pimentões amarelos, 2 verdes e 2 vermelhos
- 2 pimentas de cheiro
- 1 litro de tucupi
- 1 maço de jambú
- 1/3 de maço de cheiro verde (coentro e cebolinha juntos)
- 1/3 de maço de salsinha
- Farinha de mandioca fina até dar o ponto do pirão
- 100 g de camarão
- 100 g de patas de caranguejo
- 1/2 colher de chá de açafrão da terra
- 60 ml de azeite extravirgem
- 3 dentes de alho picado
- 60 ml de vinho Branco
- Sal a gosto
- 100 g de batata inglesa picada
Modo de Preparo
Em uma panela grande para moqueca (de barro), refogue o alho, metade da cebola, do tomate e dos pimentões no azeite.
Em seguida adicione o peixe em pedaços, o tucupi, o vinho, as pimentas inteiras, o açafrão, sal e as batatas.
Quando levantar fervura jogue um pouco de farinha, junte o jambú e deixe cozinhar; quando o peixe estiver cozido decore com os camarões e as patas de caranguejo, o restante dos tomates, da cebola e dos pimentões e deixe mais cinco minutos.
Sirva imediatamente com arroz.
Foto: Tadeu Brunelli
Escrito por Marcelo Katsuki às 17h57
17/03/2010
Os melhores endereços gourmet de Belém

É coisa séria, gente. Passei uma semana arrastando a sacola (e o isopor) por Belém. Falei com cozinheiros, donos de bares e restôs, 'tacacazeiras', peixeiros, motoristas e amigos para chegar até essa listinha, que só estou postando porque fui nos lugares para comprovar. E comprar. Claro que se algum amigo paraense quiser melhorar a lista, fique à vontade. E muito obrigado, desde já!

Tucupi
Dona Eliete é a eleita de 10 entre 10 pesquisados sobre o melhor tucupi. Seu quiosque fica na Feira da 25. Garrafa com 2 litros por R$ 5. Também na versão concentrada por R$ 10. Ela ainda tem Maniçoba congelada em embalagem descartável, para viagem. E ótimas pimentas em garrafa.

Peixes
Frescos, limpos e embalados, só o filé prontinho e no gelo: Banca 9 com oCavalo, no Ver-o-Peso. Quilo do filhote por R$ 15 e da pescada amarela por R$ 17. Ele fornece assim para os restaurantes da cidade, exija também, hehe. Diariamente, até o meio-dia. O cara tá sempre de preto, naquele calorzão!

Polpas de frutas
Açaí, taperebá, araçá, bacuri. Polpas congeladas com preços que variam de R$ 5 a R$ 10 o pacote (acho que com meio quilo). E o açaí fresquinho pode ser visto sendo processado no fundo do quiosque. Tudo limpíssimo, funcionários usando máscaras. Além da simpatia da dona Walkiria da Barraca do Açaí, que atende você lá na Feira da 25.

Jambu
Se for branqueado e congelado, R$ 15 custa esse pacote na mão da dona Eliete, nossa primeira dama do tucupi (Feira da 25). Super prático para levar para viagem. E não perde a 'eletricidade' do jambu, pois ele não foi cozido. Se preferir o jambu fresco, escolha o maço mais viçoso que encontrar lá na Feira da 25 ou no Ver-o-peso, em média por R$ 5.

Farinha
Barraca do Ruy, na Feira da 25. Produtos sempre frescos e alguns achados, como a farinha d'água grossa (R$ 2 o quilo), minha favorita desde que me descobri paraense e ideal para uma farofinha bem crocante, com manteiga, hmmm. Essa, só pedindo, não fica à mostra. Além da simpatia do Ruy, que deixa você provar as farinhas antes de comprar.

Camarão seco
Barraca do Lico, também na Feira da 25, no box 13. É a barraca mais discreta, sem nenhum produto no balcão. Mas com camarões salgados de qualidade, novinhos, protegidos em geladeira. Paguei R$ 24 o quilo. Não ficam à mostra como nas outras barracas, ou seja, estão totalmente protegidos das moscas. Tem que pedir para o Lico para ver. Uma figura.

Sorvete
Se a idéia for levar os famosos sorvetes de açaí e tapioca, a Cairu é a mais tradicional com uns 40 sabores. A concorrente, Ice Bode, tem praticamente os mesmos, o que varia mesmo é a quantidade de açúcar. Lá, o de açaí é menos doce, mas a textura da versão da Cairu é mais gostosa. Já o de tapioca é menos doce na Cairu. Ambas têm caixinhas de isopor para viagem, com várias lojas espalhadas pela cidade. Prove os dois, depois você decide.

Meu freezer tá a mais viva lembrança do Pará! Mercado Ver-o-Peso. Ai, que saudade...
Escrito por Marcelo Katsuki às 17h03
Remanso do Peixe - Belém

Tenho comido coisas bem gostosas por Belém, mas se eu tivesse que escolher um prato que representasse essa viagem, certamente seria esse acima: Pirarucu defumado com nhoque de banana-da-terra, farofinha d'água e chips de banana.
Sabe aqueles pratos que te emocionam de tão perfeitos no sabor, no cozimento, na apresentação? Pois é, esse estava impecável: o peixe com o perfume do 'fumeiro' rústico abrindo-se em lascas, a consistência delicada do nhoque, a crocância da farofinha, mais o sabor do molho com os temperos típicos do Pará. Pra ser lembrado.

O prato é uma criação do chef Thiago Castanho do Remanso do Peixe, restaurante que começou despretensiosamente na casa do seu Francisco com dona Carmem, sua mãe, preparando pratos com peixes e frutos do mar. Olha que família bonita. O chef tem mais um irmão, no momento aprendendo o ofício em São Paulo.

Quando cheguei ao restaurante, um pouco afastado do centro de Belém, fiquei surpreso com as instalações. Apesar de localizado nos fundos de uma vila residencial, a estrutura é de primeira com ambientes climatizados, assim como o serviço, executado por uma brigada toda engravatada. Comecei com um Caldinho de tucupi com jambu (R$ 6), mais ralinho e leve que um Tacacá, enquanto lia o cardápio.

Pedi alguns Bolinhos crocantes de Piracuí (R$ 15 / 10 unid.), uma farinha de peixe seco que deixa os pratos com sabor de bacalhau. Mas me surpreendi mesmo foi com os Bolinhos de tapioca com queijo do Marajó, que vieram para ser provados, ainda em testes. Pois foram aprovadíssimos, com sua textura semelhante a de uma ricota seca, turbinados com um pouco de parmesão e úmidos por dentro.

Você sabe a diferença da caldeirada e da moqueca? A segunda vem com o caldo mais encorpado pelo uso de farinha, o que no caso do tucupi é uma grande vantagem. Pedi uma Moqueca à paraense (R$ 45), que além do jambu, tem ainda pimentões, chicória e alho no seu preparo. Com a pimenta-de-cheiro do Pará, não há coisa melhor!
Os três pratos seguintes são novas criações do Thiago, que me pediu para provar. Como detesto desperdício, comi tudo. E nem fiquei pesado.

O primeiro foi uma Costela de Tambaqui com pururuca, risoto de jambu com castanhas e alho assado. Já comi muito tambaqui, mas nunca um tão saboroso: cada parte da longa costela tem um sabor que vai da base gordurosa até a ponta mais magra, com gosto de carne. Da pele pururucada nem vou falar nada. Espetáculo.

O prato seguinte era uma Pescada amarela com farofinha de azeitonas secas, batatas ao murro e banana-da-terra assada regadas com azeite. E mais alho assado, coisa que adoro. Como a pescada é dessalgada, lembra um pouco o bacalhau, mas com um sabor um pouco mais pronunciado. Cebolas e tomates assados completavam o passeio.

A Rosa, é o nome da sobremesa feita com finas lascas desidratadas que lembram pétalas, castanhas, jambu cristalizado, telhas de tapioca e sorbet sobre cupuaçu in natura cobrindo o creme de chocolate e uma 'surpresa oriental', para dar um toque no sabor. Muita coisa? Muito sabor, isso sim! E um leve perfume no ar de Cumaru, especiaria amazônica que lembra baunilha.

Fiquei conversando com os simpáticos garçons enquanto aguardava o táxi para voltar ao centro. Apesar da aparente extravagância, saí disposto e fui passear pela cidade, tomar um sorvete, descansar debaixo de uma das muitas mangueiras da praça; aproveitando o meu remanso.
Remanso do Peixe
Travessa Barão do Triunfo, 2590 - última casa da vila à direita
Marco - Belém / PA
Tel.: 0/xx/91/3228-2477
MAPINHA AQUI
Escrito por Marcelo Katsuki às 02h36
Lá em Casa - Belém

Quando se fala em gastronomia em Belém, o primeiro nome que vem à cabeça é o do chef Paulo Martins, verdadeiro embaixador da gastronomia paraense. Em seu restaurante, o Lá em Casa, o chef (no momento afastado do restaurante por problemas de saúde) realiza um trabalho de resgate da gastronomia regional com pratos bem executados respeitando os ingredientes e receitas de origem indígena.
Depois de duas mudanças de endereço, o restaurante ocupa agora um confortável ambiente no Espaço das Docas, trabalhando com sistema à la carte no jantar e bufê no almoço (R$ 35) que pode ser uma ótima opção para conhecer uma grande variedade de pratos regionais sem gastar muito.

Biju Marajoara, simples mas delicioso: crocante e com manteiga derretida.

Bufê de saladas

Arroz de pirarucu do bufê

Filhote grelhado: meu peixe de rio favorito, com vatapa paraense, que não leva amendoim nem castanha, mas alfavaca, chicória e um pouco de azeite de dendê para dar a cor amarelada.

Maniçoba, um prato de origem indígena preparado com folhas da maniva moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana. Depois são acrescentadas carnes como charque, toucinho, lingüiça e paio, praticamente os mesmos utilizados em uma feijoada.

Frango no tucupi: uma opção ao tradicional pato. Depois de assada, a carne é levemente cozida no tucupi com seu característico sabor azedinho e servido com jambu e farinha de mandioca.

De sobremesa, Creme de bacuri, fruta típica do Pará com polpa cremosa, perfeita para doces.

E um Bolo bem caseiro, de leite, com cobertura de chocolate, perfeito para arrematar com um cafezinho. Perfeito para se sentir em casa.
Lá em Casa
Boulevard Castilho França, galpão 2 - Estação das Docas
Belém - PA
Tel.: 0/xx/91/3212-5588
Escrito por Marcelo Katsuki às 01h59
Comendo e bebendo em Belém

Em Belém desde terça. Logo na chegada, a primeira parada: Estação das Docas, um complexo gastronômico e cultural muito bacana, resultado de um projeto de restauração dos armazéns das docas. Todo em estrutura metálica com fechamento em vidro, permite passear pelos galpões protegido pelo forte ar climatizado ou pela orla, tomando a brisa com a agradável vista para o rio Guamá.

Primeiro gole: caipirosca de cupuaçu com Absolut, na Amazon Beer (R$ 10,90). E não é que combina?

Primeiro prato: o tradicional Tacacá do Lá Em Casa (R$ 9), prato originário dos índios que leva tucupi, goma de tapioca, camarão seco e as elétricas folhas de jambu.
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